Arquivo da categoria ‘Depoimentos’

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sobre o Carnaval Tântrico da Cia do Ser

“Não teria como expressar aqui nesse email tudo o que o Carnaval do ano passado significou para mim.
Quanta intensidade, quanto aprendizado, quanto contato comigo mesmo e com os outros.
Quantos laços se estreitaram. Quantos laços nasceram.
Quantas e que tamanhas emoções afloraram em mim. Sensações que eu mesmo desconhecia, nem imaginava estarem presentes em mim.
Como foi incrível descobrir um espaço absolutamente novo de intimidade entre as pessoas; de troca verdadeira; de suporte; de me fortificar. Quantas boas sensações guardadas aqui dentro.
Saudades do cheiro, da chuva, do sol, da piscina, da música, das festas, das trocas, das danças - dançar pelado na chuva !!! que delícia…
Gratidão a tanto suporte que recebi ali…”
Vishuda (Fernando S. - médico)

Carnaval Tântrico Cia do Ser - Carnaval Tântrico Cia do Ser

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Crescer e amadurecer

“Olá grandes companheiros!
Que lindo e gostoso nosso ultimo encontro, né?!
Ri! Foi muito especial mesmo o trabalho de sábado e mexeu com várias coisas em relação a essa energia sexual mesmo pra mim.

Continuo mexendo no volume pra aliar minha expansão, doçura e disponibilidade, com firmeza, totalidade e sem a sedução.

Disse que ia escrever, e mais do que por comprometimento com vocês foi uma grande vontade mesmo.
Essa semana não tem sido fácil. . . corpo doído, garganta inflamada, alergias em vários cantos, muito trabalho e pouca compreensão alheia.

Eu já (de uns tempos pra cá) sacava como existia a necessidade da minha mãe de manter a princesinha no castelo. De mostrar com que eu precise dela e de usar chantagem emocional sempre que algo a contraria. Sacava de uma forma mais sutil, mais geral. . . mas putz! Como isso está em evidência agora. Tivemos uma briga horrivel, basicamente por eu estar aqui, tocando minha vida, dando conta de mim mesmo (ou fazendo o melhor que posso no momento para isso), e eu não sustento brigar com a minha mãe.
Me sinto fraca, sem apoio, desnutrida e descuidada. Não sei cuidar de mim.

Me vem a vontade de desistir de tudo. Porque ter que trabalhar e pagar minhas contas sozinha? Arrumar a casa, cuidar do carro e tudo que abrange a vida adulta? Quão mais confotável estaria eu na minha cidade. . . na minha casa linda, com mocinhas que trabalham lá o dia todo limpando, cozinhando. Com o tanque cheio, emprego onde não trabalho tanto . . .
Por outro lado, essas alturas, seria confortávelmente insuportavel né?!

Vontade mesmo é de não fazer nenhum papel que a vida nos exige. Não ser Alana, filha, nem namorada. Não ser Leena terapeuta, atriz, irmã, amigona ou qualquer outra coisa. Só me sentir total com a natureza mesmo.
Tomar um banho de cachoeira pelada e ficar horas ali, sozinha.

Uu. . . que gostoso escrever aqui. Por mais que nem leiam, ou tenha resposta, foi uma forma boa de desabafar.

No mais, volto aqui brevemente.
Enquanto isso vou chamando força mesmo!
Um beijo gostoso no coração de cada um.

Sagar Leena”

Leena é terapeuta da Companhia do Ser e participa dos encontros mensais do Laboratório de Formatividade Tântrica Avançado. Cada dia mais linda, cada dia mais Leena.

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Aqui e agora, por Vismaya

“Oi seres lindos!!!

Como estão todos? E esse último laboratório, como foi?

Cheguei agora pouco em casa, depois de passar 15 dias intensos, respirando muito, sem contato com esse “meu mundinho”, descobrindo outros “mundinhos” dentro de mim… chego renascida e com mta sede de realmente estar no mundo…

Aprendi mta mta mta coisa, realmente esse curso veio no momento certo pra mim (Saa e Dhy, sou mto grata a vcs por tudo e por mais essa! )… Uma das coisas mais mágicas que eu aprendi no curso de Renascimento foi ver como minha mente (meu ego) é filha da puta comigo mesma… rsrsrs…

Nunca a frase batida “A gente é q complica a vida” se fez tão clara pra mim, como faz agora… Isso me torna assustadoramente responsável pela minha própria vida, pelas minhas próprias escolhas…

Estou com um compromisso comigo mesma… ser total no aqui e agora… não deixar que minha mente fique vagando pelo passado nem pelo futuro, julgando, reprimindo ou invalidando meu verdadeiro ser…

Pensei muito em como meu lado sombra se colocava em muitas situações, dentro do grupo mesmo, e em como eu posso fazer diferente a partir de agora…

Peço a ajuda de vocês… não deixem que a Gabi com cara de simpatiquinha, boazinha, mas q na verdade está totalmente ausente, conversem com vc… Exijam a minha totalidade, que é o que vocês realmente merecem, o melhor de mim… Claro, que eu também estarei sempre me esforçando pra que isso precise de cada vez de menos ajuda pra que aconteça…

Vi um filme lá muito legal, quem ainda não viu e quiser ver, vale a pena..chama-se “O poder além da vida”… Estava lembrando dele quando me deu vontade de escrever esse e-mail agora…

Ahh… tenho muitas coisas pra compartilhar… a medida que me forem vindo na memória vou escrevendo pra vocês… Obrigada por ter esse espaço aqui!

“A dor e a felicidade são somento condições do ego. Esqueça o ego” (Lao Tsu)

Um beijão a todos,

Gabi Vismaya”

Vismaya é terapeuta da Companhia do Ser e participa dos encontros mensais do Laboratório de Formatividade Tântrica Avançado. Seu constante empenho em crescer contribui para o desabrochar de todos do grupo.

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O menino redescoberto

chuva - chuva

Mês passado tivemos o trabalho da Terapia Primal na Companhia do Ser. Como todo grupo, cada trabalho é diferente do outro, as pessoas são diferentes, nos emocionam de maneira diferente, mas sempre nos tocando de forma muito bonita e especial.
Publico aqui o depoimento de um dos participantes, o Roberto, logo após ter passado pela experiência do trabalho.
Obrigado, Roberto!
um beijo,
Sá.

“Cheguei ontem à noite em casa, feliz e completamente energizado. Poderia enfrentar mais alguns dias de dinâmicas, não fosse a incomensurável vontade de estar com minha mulher e meus filhos e compartilhar com eles a minha alegria.

O silêncio e a aparente escuridão da sala logo foram quebrados por um pequeno barulho do bater de teclas no computador, vindo do escritório. Coloquei minha mala de viagem no chão e me encaminhei radiante para lá, sabendo o que encontraria.

Entrei no escritório e ela virou o seu rosto para mim.

- “Como foi?”, perguntou.

Ela estava linda. Ela é linda, de uma beleza que até dói. Só então me dei conta do calor que começou a invadir meu peito. Um calor de fogo brando, gostoso, morno. E pude enxergar o que não via há muito, ou sequer tinha visto nos nossos 30 anos de convivência: o amor que irradiava de seus olhos. Dei e recebi um longo e silencioso abraço, profundo, amoroso.

- “Foi muito bom”, respondi. “Tão bom que consigo sentir, de verdade, todo o amor neste seu olhar. Não me deixe nunca mais entrar nos joguinhos do tipo – você não gosta de mim, não consigo sentir seu afeto – não estarei sendo honesto nem com você nem comigo. Posso sentir todo o seu amor sem disfarces ou estratagemas e é bom. Ajude-me a escapar dos jogos fale comigo o que você está sentindo, sem mágoas, e vamos permitir que só o amor, respeito e verdade fluam entre nós.”

Seus olhos ficaram marejados, ela me abraçou novamente e choramos quietinhos, abraçados. Depois, fui tirando sua roupa e me permiti sentir suas carícias, enquanto massageava-a. Conversamos muito, nos amamos gostoso, e sequer percebemos que as horas avançavam e que os filhos que ainda moram conosco ainda não haviam voltado do feriado.

Chorei de felicidade no chuveiro esta manhã, apenas porque deu vontade, sem nenhuma razão ou pensamento. Só sentimento. Quando saí, percebi a chuvarada, mas preferi ir trabalhar de ônibus e metrô, evitando que o estresse do trânsito pudesse me atingir. Atravessando a rua, percebi que estava fazendo um esforço enorme para desviar-me das enormes poças d’água, um movimento inútil, já que a chuva era forte e molhava até minha mochila presa às costas que o guarda chuva não conseguia proteger. Desencanei e saí chutando as poças, dando risada e me divertindo como na infância. Lavei a alma e entrei no ônibus gargalhando.”

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Terapia Primal

Já estão abertas as inscrições para Terapia Primal, ou resgate da criança interior. Será nos dias 04, 05, 06 e 07 de setembro.
O último trabalho realizado em abril foi muito bonito e uma de nossas assistentes que acompanhou o grupo deixou seu depoimento aqui:

Saa e Dhy,

para mim foi um presente poder assitir o primal no feriado de páscoa…

Presenciar aquelas pessoas se abrindo e compartilhando suas dores através da confiança em vcs.

Conseguir trabalhar com um grupo tão heterogêneo de cabeças, idades, caminhos e vidas, e integrá-los num resgate único.

Ter a coragem de não ficar no comum, no fácil, (no bonitinho e ordinário), e printar a marca d’água de quase um rock’in roll no trabalho de vcs.

Assistir a transformação das feridas e machucados (tão feios de serem ouvidos e ainda mais doloridos de serem ditos) em raiva, indignação e, principalmente, em força àquelas crianças esquecidas.

O choro contido até ali, libertando e lavando os corpos e as almas daquelas pessoas… derretendo corações congelados de medo…
…é uma nova oportunidade, um novo caminho e uma nova vida dada a elas.

Num final de semana conduzido com maestria, como eu duvido que exista em qualquer outro espaço.

Obrigada por me fazer voltar a acreditar que ainda exista magia neste mundo…
e que podemos optar viver através do amor e não pelo medo.

parabéns, meus queridos,
Lili Ekanta (chorando, sorrindo e aplaudindo de pé).

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O que você tem a dizer sobre o Tantra? - 3

“Tantra é uma nova forma de enxergar a vida, sem a roupagem do conhecido. Permitir-se. Entregar-se.
Uma viagem nas minhas escuridões, um reconhecimento sobre mim mesma.
Não é mais um destino, ou o fim em si… É mais a jornada. São os percalços. Cada pedrinha no caminho.
Cada som, cada lágrima, cada riso… Cada gozo, cada dor, cada suspiro… Tudo soma e se desfaz. Nada fica. Tudo muda. Me encanta descobrir que o observador interfere no resultado da experiência, e por isso, as possibilidades são infinitas… O infinito que cabe dentro de um ser.
Pura magia. Ciência pura.”
Lili (do Laboratório de Formatividade Tântrica da Companhia do Ser )

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O que você tem a dizer sobre o Tantra? - 2

“Tantra, como eu entendo hoje, é a possibilidade de ampliar a auto-consciência, e poder me conhecer melhor, desenvolver a sensibilidade, ser cada vez mais verdadeira e, assim, capaz de construir relações calorosas, sinceras e com intimidade, vivenciando o Presente, o Aqui e Agora.
E são vocês que estão possibilitando que aconteça isto na minha vida.”
Lila (do Laboratório de Formatividade Tântrica da Companhia do Ser )

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O que você tem a dizer sobre o Tantra?

“Quando comecei a participar dos grupos tinha uma questão que alguns dos novos talvez tenham. Como eu faço “lá fora” pra ter o que eu conheci “aqui dentro”?
o que eu percebo agora é que pra mim não tem mais fora e dentro. O tantra faz parte da minha vida não só nos nossos encontros mensais.
Está no tratamento que eu dou pras pessoas da minha vida, na escolha destas pessoas, no cuidado que eu tenho com qualquer coisa que eu que eu faça, mesmo que seja um trabalho de lavar a louça ou limpar um banheiro. É uma atitude que inclui não só aquilo que eu faço (ou não faço), mas principalmente COMO eu faço. É um processo de crescimento que é constante, pois tudo passa a fazer parte dele.”

Jivan Dinmani (do Laboratório de Formatividade Tântrica da Companhia do Ser )

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queridos, minha loucura

“Olá queridos

Estranho usar essa palavra: “queridos”. Pela primeira vez na vida sinto ela natural como se falasse para minha filha.
Estou ferido, triste, magoado. Percebo agora claramente como o outro é estranho, como é dificil e como é misterioso.
Me lembro no último dia pela manha varios tomando café: dando risadas, falando alto….e eu ali acuado, sem conseguir falar direito… vai tomar no cu…… vai tomar no cu…………. cansei dessa prisão, dessa limitação. Desse sofrimento que nem sei mais se é real ou se invento pra mim…
Na respiração o Saananda me disse que não precisava mais sofrer, agora estava na hora de celebrar e comecei a rir, foi um momento bonito e deve muita força, Gabriel.
Nesse encontro estou fazendo as pazes com meu masculino. Se tinha medo das mulheres, percebi que os homens sao verdadeiros estranhos. Tive contato com varios de um jeito mais proximo, mais amoroso: Prata, Yurê, meu amigo Ribamar (esse ainda está em estado de transe…r.s), e tantos outros…
Ainda tenho dificuldade de me aproximar do Manuel. Devo projetar muitas coisas nele…..como trabalhamos perto um do outro, gostaria de almocar um dia com voce Manolo.
Com as mulheres estou me sentindo mais a vontade. Estranho que, apesar de me sentir mais a vontade, ainda é desafio sustentar uma conversa. Sustentar. Essa é a palavra da moda. Em relação aos primeiros encontros já consigo muitas coisas, mas sem sustentar, sem manter…
sempre dou um jeito de fugir, de sair, de me distanciar do que sinto….
Senti muito ciumes e pela primeira vez o ciume não é um nome, é uma raiva potente que conseguia faze-la expadir e aos poucos ia se transformando em medo e pasme, foi virando prazer… ciumes virando prazer… não consigo ver logica nisso, mas cada vez que deixava um espaço a esse sentimento… ele se transformava, ou se dissipava. Era uma energia que tinha um tempo de vida… chegou um hora que falava pra mim mesmo: esse ciumes so precisa de um tempinho pra ele “ser”…
Nunca fui tão infeliz como nesse grupo, mas estranhamente nunca fui tão feliz. Hoje entendo felicidade como um espaço em mim, um grande espaço de experimentação. um lugar de sentimentos, todos eles, pois não mais os escolho, dou-lhes o palco e todos brilham… e agora tem espaco pra raiva, para o medo, para o ciumes, para uma sensação que sempre teve comigo e nao a percebia em mim. Um sentimento de quebra, como se a realidade nao mais existisse.
Uma sensação que me tirava do momento e do encontro… também tenho espaço pra esse sentimento agora… não me é mais estranho……………
E minha tristeza, a quem chamo carinhosamente de Cadrock (deus do abandono)… está cada vez mais gostosa, mais próxima. As vezes consigo ela pura ( sem o medo que sempre estava por perto), é uma sensacao deliciosa de entrega e aceitação. Estranho, essas sensações sempre fez parte da minha loucura (tive meus periodos de anti-psicoticos), pelo menos minha loucura era o desespero pra nega-la.
Hoje me sinto mais são, pois agora consigo da conta da quantidade enomes de sentimentos que eu negava… aceito a loucura e nao enlouqueco… esquisito… rs

Agradeco a todos de coração, cada um teve seu significado nesse encontro…
e agradeco ao Saananda (minha profunda gratidão, Sa. Sei que sou meio lento (baiano, né…rs)), mas estou chegando… rs
Alex Ferraz

(do Laboratório de Formatividade Tântrica da Companhia do Ser )

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Sobre o amor ou a falta dele

“Nunca tinha percebido isso tão claramente mas o que eu chamo de amor talvez não seja amor. Como a gente ama sem ser escrava e sem escravizar a pessoa que se ama?
Porque eu te amo me acho no direito de querer você só pra mim, me acho no direito de controlar o que você faz com a sua vida, de te possuir, de preferência até os pensamentos. Porque eu te amo quero que você olhe só pra mim, só veja a mim, quero ocupar todos os espaços da sua vida, pra que não tenha espaço pra você amar mais ninguém.
Porque eu te amo, prefiro que você não cresça muito, pois mais gente vai perceber o que eu percebo agora, e também porque vou perder o controle sobre a sua vida, e eu preciso fazer parte de tudo que existe nela.
Porque eu te amo e só quero o melhor pra você, conforme as minhas definições de melhor, então isto pode e deve incluir as roupas que você usa, a forma que você se comporta e principalmente as pessoas com quem você convive, mais precisamente os amigos que você tem.
Afinal te amando tanto, provavelmente devo ser sua melhor amiga. E com certeza só quero o melhor pra você.
Porque eu te amo tanto vou abrir mão de coisas que quero, vou afastar pessoas importantes, vou desistir de muitos projetos, e vou cuidar do nosso lindo aquário com o maior amor possível. E quanto mais eu “cuido” do nosso amor, menos eu cuido de mim mesma.
Porque eu te amo tanto não faço o que quero, não digo o que eu penso, não sou o que posso. Espero que você faça o mesmo por mim. Afinal, quer prova de amor maior que essa?
Porque eu te amo me acho no direito de cobrar com juros e correções o amor que eu sinto, e que eu eu tão generosamente te dei. Afinal fiz tanto por você.
Porque eu te amo tanto, vou ficar chocada o dia em que você não me amar mais.
Afinal tudo que eu fiz foi amar você.
E vou ficar ainda mais chocada ao ver que você não é mais a pessoa que eu amava tanto. Você agora é a pessoa que foi transformada por esse meu amor.
Porque te amei tanto, tive medo de te amar tanto.
Porque te amei tanto tudo o que eu fiz foi te afastar de mim.
Tudo o que eu fiz foi abafar, sufocar e destruir este amor.
Até ele não existir mais.

Din”

Jivan Dinmani (do Laboratório de Formatividade Tântrica da Companhia do Ser )

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Sobre o excesso de bagagem…

“Querida Carlinha,

Sua mensagem foi muito importante pra mim e me tocou bem fundo.

Me percebo hoje de volta aos meus 6, 7 anos de idade quando este meu padrão começou a ganhar forma. Forma corporal eu digo, porque acho que ele começou a se formar muito antes, antes até de eu ter nascido, provavelmente com meus avós ou bisavós.

Apesar de eu estar “regredida” na idade, me sinto despida de todas as armaduras, couraças, máscaras, porque tudo isso veio depois. Primeiro veio esta dor, essa tristeza, depois veio uma cisão e um isolamento na adolescência porque eu não “aguentava” mais sentir o que eu sentia, e só depois é que eu criei as armaduras de forte, que resolve tudo e a máscara de sedução.

Me sinto frágil e muito vulnerável, mas ao mesmo tempo aliviada, como se tivesse tirado um peso dos meus ombros (qualquer analogia não é mera coincidência). Me sinto lidando com o meu problema original, ou pelo menos o mais intenso, sem ter que lidar também com este monte de coberturas e disfarces que depois eu coloquei por cima. Mas apesar da fragilidade, eu agora aguento sentir a dor, eu consigo aguentar me sentir assim tão pequena, tão menos. E sinto que é deste lugar que preciso começar a me reorganizar, é deste ponto que consigo encontrar um espaço meu, um caminho…

Mas só estou tendo coragem de olhar pra isso mais de perto porque sinto que tenho o apoio e o afeto de vocês, que eu não preciso ser nada, não tenho que provar nada, não tenho que lutar contra a maré. E embora agora me sinta carregada pela ondas, meio ao sabor dos ventos, sei que uma hora vou encontrar terra firme, porque com certeza esta é a minha praia.

Queria dizer também que conheço algumas pessoas do grupo melhor, porque as reconheço em mim, no meu peito, na minha barriga, na minha falta de membranas e nas membranas fininhas que eu começo a criar.
Então gostaria de dar um beijo de reconhecimento nas dificuldades da Aninha, da Frances e da Paulinha. E de mandar um beijo de carinho pra todos os outros seres lindos desse nosso grupo sejam eles passarinhos arrepiados, tatu-bolinhas, rios que secam, árvores frondosas, samba de raiz ou tango argentino. E pra aqueles que ainda vão vir, porque sempre cabe mais um.

Mando pra vocês uma música que tem tudo a ver comigo neste momento:
Volver a los 17. Só que no meu caso é volver a los 7.

Se a gente adoece com as porradas da vida, também pode se curar com os carinhos das mãos.

Din”

Jivan Dinmani (do Laboratório de Formatividade Tântrica da Companhia do Ser )

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Nossa reforma: mudanças, família

“Ai, ai, minha gente… hoje estou derretida. E essa chuvinha boa…

Acordei com aquela música na cabeça…
” o rio está fluindo,
fluindo e crescendo…
o rio está fluindo,
de volta pro mar…”

Oi, Din. Ontem te procurei, procurei…
Achei que estava muito quietinha, perguntei de você prá Paulinha na segunda, ontem prá Bruna, mas ninguém tinha notícias.
Pressenti que estava triste. Essa história de se ligar com as pessoas, nem sei como, mas acabo ficando perto mesmo que longe.

Sua mensagem e sua massagem bateram forte em mim.
Com essa mudança de casa fiquei pensando no que deveria deixar, no que deveria levar. Ótima fase para balanço. Senti muito a necessidade de limpar as teias antigas, caminhar mais leve. Está tão pesado carregar toda essa velharia… cascas, medos, apegos, dores, certezas e incertezas… afe! Que tralha é essa! No domingo, durante o curso, percebi minha barriga como uma caixinha que guarda dores agudas, antigas, viscerais e estranhas porque não são sentidas todos os dias. Estão lá bem escondidas e só pude ter contato com elas com o toque profundo da massagem. Ontem mesmo, uma dor tão forte na barriga que não consegui ir para o trabalho de manhã. Acho que estava com a expecativa de receber a compreensão e o apoio da família para esse novo momento mas novamente vou ter que caminhar sem contar com isso.

Então, melhor mesmo deixar o que já não me serve e levar disposição para construir o novo. Porque acredito que estamos erguendo novas possibilidades com todo esse compartilhar… Não teias para se enroscar, mas laços de carinho, de afeto, de amizade e confiança. Vínculos com responsabilidades. Um sonho que prá mim já foi plantado tempos atrás.
Sempre gosto muito de ler o que você escreve e fico feliz em saber que vai estar na casa juntinho com a gente!

Tenho aprendido muito contigo. Como você lida com sua feminilidade, com suas tristezas… E lembro dos seus olhos que são como um sorriso!… Com certeza é uma refêrencia importante para mim.
Esse fundinho de poço que você descreve é velho conhecido meu. Desde que comecei o trabalho com o Saa, no finalzinho de dezembro, não visitei mais esse lugar. Mas muitas vezes acho que ele está me
espreitando, a espera de um vacilo meu para poder me tragar. Agora mesmo estou dividida entre um sentimento muito forte de vontade de renovar, de construir, feliz com a mudança e um puta medo do desconhecido, junto com um aperto muito grande no coração com a reação negativa da minha família. Mas ainda assim não estou a caminho do poço e penso que é porque estou sentindo uma esperança e uma confiança muito grande, principalmente em mim mesma, de um jeito que nunca havia sentido antes. Capacidade de sustentar que está sendo aprendida junto com vocês.

Meus olhos agora estão chovendo de tamanha gratidão… por esse trabalho do Saananda… pela confiança… por todas essas mudanças… pelo convívio com esse grupo maravilhoso… pelo carinho de todos vocês.

Percebo meu peito se abrindo, meus braços querendo crescer, esticar, com vontade de abraçar todos de uma só vez e sentir aquele calorzinho, aquele aconchego gostoso…

beijos de muita, muita ternura,
Carla

Do Laboratório de Formatividade Tântrica da Companhia do Ser .

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Nossa reforma: crise grupal

“oi queridos todos

estou tb sem possibilidade de escrever esses tempos muito, mas estou lendo qdo posso e me senti profundamente tocada por varios dos depoimentos… concordo total com o que Mada falou pra vcs.

fico pensando que essa especie de “crise Global”no nosso grupo tantrico tenha alg significado mais profundo no nosso processo coletivo, veio depois de um momento de grande abertura e fusão no carnaval, e mais amor e aceitação entrando , mais compreensao, parece estar trazendo nossas fragilidades a tona para serem acolhidas, abraçadas, abarcadas, tomarmos posse.

fico lembrando a voz do Gabriel na hora de um exercício meu com dor:… faça essa dor sua, fran…

é isso, eu que com minha lua capricorniana, tendi sempre a me sentir rejeitada e isolada, estou confiando nos nossos processos, individuais e de grupo… sei que vamos estar logo juntos de novo e que esses conteúdos e vivências que estamos tecendo tão intimamente mesmo via net serão a sustentação tb de nossos saltos e danças… e cantos… e risos… e lágrimas… e abraços… membranando e desconstruindo e reformatando…

Paula, Lili, Libania, Mada , Elaine, to me sentindo MUITO PROXIMA… to aqui se puder ajudar em algo

Alex que impressionante te ver se mostrando.. que grupo lindo

Airton, cade vc? nao te li mais? saudades, vc vem no proximo?

Veet, flor tão delicada e forte… are you remembering who you are? the same fiapinho sem voz é a que canta como uma ninfa de luz que toca nossas almas com sua doçura e presença… te amo…

beijos sóbrios… como diz Saa… pra voces tod@s, porem esperançosos

Saa, assinou? gente, vamos fazer uma MEMBRANA DE LUZ, PROTEÇAO, NUTRIÇAO, PRA AJUDAR SUSTENTAR ESSE INICIO DO NOSSO ESPAÇO COMUN-ITARIO…TERRITORIO PROTEGIDO E CUIDADO PARA NOS CUIDAR E ACOLHER… GRACIAS POR SU CORAGEM E PORRA LOQUICE SAA, E PELA SUA VISAO E PERCEPCAO…POR TUDO!

beijos Frances”

Frances (integrante do Laboratório de Formatividade Tântrica da Companhia do Ser , amadurecendo, sustentando e fazendo parte… vc é muito querida)

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Nossa reforma: A casa nova e a casca velha

“Todo mundo conhece o típico “dramalhão mexicano”. Não tem muito segredo, quem assiste sabe o que esperar: sempre a mesma história, muito sofrimento, muita intensidade e sempre o mesmo final.
Mergulhei (de cabeça) naquele meu buraco de dor tão conhecido meu. Fiquei lá me lastimando, sofrendo, sofrendo, e justificando a minha dor. E aí percebi que adoro meu dramalhão mexicano. A minha miséria aciona todos os meus circuitos, e é muito mais intensa e visceral que simplesmente estar bem. Me sinto ligada, como sob efeito de uma droga.
Tanto que hoje estou de ressaca, com todos os sintomas: tontura, dor de cabeça, náuseas…
Descobri que não sou viciada em chocolate. Sou viciada em sofrimento!Neste último ano cresci muito. Fui aprendendo outras possibilidades, experimentando ser diferente. Me senti amada, acolhida, respeitada…E não aguentei! Nunca as palavras membrana e sustentar tiveram tanto sentido pra mim.
A verdade é que eu não me banquei estando bem. Estar bem é só estar bem. Simples e agradável, como um lago sereno.
Já sofrer é grande, como uma tempestade, revira tudo.
Percebi que estes meus sentimentos tão verdadeiros de dor são só padrões aprendidos. E que se estou sofrendo hoje algo que aconteceu na minha infância, estou congelada no tempo, repetindo não só um pensamento ou comportamento, mas também um sentimento. E que se nada acontecer pra justificar o que eu sinto, vou inventar alguma coisa.
Percebo agora que fiz este monte de terapia não para sair do fundo do poço, mas pra ficar mais confortável nele! E que o meu medo da loucura não é na verdade medo de enlouquecer. Porque já estou na loucura querendo sustentar estes padrões. Estou é com medo de sair da minha loucura; abandonar uma estrutura que eu construí, alimentei e cuidei de manter por tantos anos. Como uma casca velha, ultrapassada, que não me serve mais, mas que me abrigou por tanto tempo. Quase sinto saudades de ser infeliz.
Que ótimo momento pra limpar teias de aranha, sacudir a poeira e preparar a casa nova para receber, acolher (adoro essa palavra) e abrigar.
A minha casa e a casa de todos nós.
Vou estar com vocês no sábado lá pela hora do almoço. Vou levar umas comidinhas.

Sa, obrigado por tornar o meu fundo do poço um lugar cada vez mais incômodo de se estar.

Com amor e muita estranheza

Din em re-forma”

Jivan Dinmani (integrante do Laboratório de Formatividade Tântrica da Companhia do Ser )

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RE: RE: RE: O meu padrão macho brabo e como foi criado

“Bruna

eu aqui meio corrida, sem tempo… mas parece que agora até o relógio parou para eu sentir meu coração pulsando muito forte, a respiração acelerando, as lágrimas caindo…

preciso declarar TODO MEU AMOR por você… que agora é grande assim mesmo, mas que começou devagarinho, como uma ternura e gratidão logo que cheguei ao grupo e fizemos o primeiro exercício juntas. um acolhimento e um carinho simples e sincero que naquele dia acalmou minha insegurança e me deram força e tranquilidade para continuar.

vi mesmo uma flor em você… e vejo! vi também um macho brabo, assim controlador, querendo dizer prá mim que aquele moço lindo, o yurê, era seu companheiro, rsss…

respeito muito essa brabeza em ti. ela não me afasta e nem me assusta, ao contrário, me inspira… me faz ter coragem para eu trabalhar com minha própria força, brabeza, agressividade, como um pulso que eu estava precisando sentir, acelerar. e digo mais…me faz sentir um tesão pela vida!

bruna, minha irmã. você sabe disso… te amo e também preciso do seu amor.

beijos muito muito muito agradecidos,
Carla.”

Participa do Laboratório de Formatividade Tântrica da Companhia do Ser

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RE: RE: O meu padrão macho brabo e como foi criado

“Olá,

Hoje meio rápido, porque “‘PRECISO MESMO TRABALHAR”, tenho estado muito ligada nos emails, e a oficina está precisando da minha energia neste momento.

Também te amo Bruna. (Cada vez que te conheço um pouco mais, mais linda te acho). De um amor que eu também estou aprendendo: um tipo de amor que a gente vai construindo estando, aceitando, acolhendo, aprendendo e não se conformando.

Quero te amar, não tentando te agradar (como eu sempre fiz), não sendo menininha (como é confortável pra mim), não passando a mão na sua cabeça (senão não te ajudo a crescer). Mas me comprometendo a estar com você e pra você se você precisar.

Um abraço,

Din”

Jivan Dinmani (integrante do Laboratório de Formatividade Tântrica da Companhia do Ser )

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RE: Raiva, rajiva

“Rajiva querida

O que você disse teve um puta sentido pra mim.
Na faculdade a professora de história da psicologia fez um pequeno teste psicológico na turma. Não acredito muito em teste, mas vamos lá?
mandou escrever nome de tres animais e dar qualidades pra esses animais.
coloquei:
cachorro: dócil, alegre, amigo, suave, “bonzinho” (esse seria quem eu penso que sou)
elefante: pesado, indeciso, incerto (como as pessoas me vêem)
jegue: agressivo e sexual (como realmente sou)

Acreditando ou não no teste, a grande verdade que isso mexeu muito comigo. Pois percebi que essa máscara de bonzinho, de cachorrinho, de carinha legal… ainda está muito forte em mim.
E resgatar essa minha agressividade (assertividade) está sendo um desafio. Pois é ridiculo achar que é uma coisa e transparecer outra. Não ser autêntico, hoje, é uma idèia que me assusta.
Quantas vezes abri mão do que eu realmente queria. Quantos sins mazoquistas precisei dar pra me sentir parte, sentir aceito.

Osho fala que é menos desgastante ser verdadeiro com você. Gasta-se menos energia. E é verdade… lembro que quando eu me estuprava, essa agressão contra mim mesmo demorava dias… ficava dias e dias masturbando essa minha falta de firmeza… e como aquilo me cansava… hoje falo não… e fica tudo bem rs… quando o ser decide, tudo fica tudo bem… rs
Entao, rajiva, essa sua raiva vai te fazer um puta de bem. Vai te dar um vigor que é necessário pra ser você mesma…
um beijo a todos
alex ferraz (agressivo, sexual e amoroso também)”

Alex Ferraz (faz parte do grupo que se encontra mensalmente no Laboratório de Formatividade Tântrica da Companhia do Ser )

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Raiva, rajiva

“olá lindos
Sajeev Nirmukta, tao lindas as suas palavras… achei linda sua historia e admiro que vc esteja hj nesse caminho… já q seus prazeres foram sempre tao exatos…

din
minha irmazinha linda, como eu sempre falo vc é admiravel… vc diz dessa sua tristeza, mas está tao apropriada dela q a faz ficar mais leve e acho q é por isso que voce nao esta tao incomodada…

quanto a mim
acordei extremamente raivosa, com vontade de nao falar com ninguem… pisando firme, com a cara fechada, pronta pra mandar alguem a merda mesmo… pode ser uma tpm meio indesejada…
mas aí no meio dessa minha putice toda, percebi que nos meus atendimentos de hoje eu estava muito mais firme, intuitiva e até amorosa e q os atendimentos fluiram muito mais…
ai me vem a pergunta, será q eu tenho q ficar raivosa? como é q essa raiva cresce dentro de mim e eu administro e curto ela? as vezes eu acho q do a impressao de uma força que esta mascarada por um constante desejo de ser a boazinha pra que todo mundo veja q é boazinha e respeite isso…
como falei no ultimo grupo, acho q isso esta me cansando um pouco…

bom, daqui é isso
beijos espumantes, mas carinhosos e desconcertados ainda
rajiva”

Lalit Rajiva, membro da equipe de Tantra e terapeuta da Companhia do Ser

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RE: RE: RE: Das surras aos abraços

“Caralho, Sajeev Nirmukta…
Puxa vida,
Seu email me tocou… sabe mais? vejo você subindo no seu próprio gigante…
E você um artista. Um homem sem alma de artista não emocionaria ninguém como você fez nesse email.
Ao contrário do que muita gente pensa, a matématica não prescinde de sentimentos. A matematica acrescida de sensibilidade é algo profundo e muito bonito, pois nos leva a entender como a objetividade é fortemente embasada por uma realidade subjetiva.
E a história da matematica está repleta de emoção e paixão. Veja Galois, Fermat, Einstein, Turing.

  -

Esses caras estavam conectados com algo maior do que eles.
Você me fez lembrar de muitas coisas da minha vida.
Sua história tem muito de minha história…
Um agrande abraco, poeta dos números…
Alex ferraz

(Participa do Laboratório de Formatividade Tântrica da Companhia do Ser )

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RE: RE: Das surras aos abraços

“Márcio,

V. me fez parar para refletir um pouco a respeito dos dons.
Dom é dom, né? Nascemos com isso e ninguém nos tira!

O ponto é que o dom é algo tão natural e espontâneo que automaticamente vamos recebendo feedbacks positivos a partir de sua manifestação, daí começa a neura de sacar “ôpa, estou sendo aceito” no momento em que o manifestamos e a roda viva começa a girar.

Estou tentando sacar como funciona esse mecanismo e como seria usar os dons, ou melhor, apropriar-se dos dons, sem precisar abrir meu espaço no mundo através dele.
Como fazer como eles se manifestem sem a minha auto-cobrança?

Se quiser se juntar ao clube será benvindo.
beijos,
Mada”

Dhyan Mada (Participa do Laboratório de Formatividade Tântrica da Companhia do Ser )

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RE: Das surras aos abraços

“Caro Márcio:

lendo seu email, vi muitos pontos coincidentes com a minha história de vida.

1) meus pais também nunca trocaram afeto na minha frente (sou filho único).
Bem diferente do modo como eu e minha esposa nos comportamos na frente dos nossos filhos. Sempre procuramos demonstrar carinho e respeito um pelo outro. Acredito que isso faz bem para os filhos. Mostra à eles a naturalidade dos nossos sentimentos. Também nunca foram de me abraçar
e de me darem carinhos explicitos. Não os culpo porque eles tiveram uma vida de extrema dificuldade e foram educados por pais mais rudes ainda. Fui procurar afeto feminino com 16 anos nos braços das
prostitutas de Santos.

2) Também tive que me apoiar, não em meus dons artísticos, isso porque nunca os tive, mais em uma certa facilidade com matemática. Também passei a acreditar que só seria querido se fosse uma pessoa competente. Daí surge um estudante nota 10, porém infeliz. Além disso, quando tinha 5 anos, recebi de um médico o diagnóstico de que nunca seria ninguém na minha vida, pois seria um pouco retardado mental (devido as minhas convulsões tomava remédios muito fortes, que me impediam de raciocionar com clareza). Repeti o primeiro ano primário.
Depois, quando pararam de me dar os entorpecentes, surge um aluno dedicado (como você, o primeiro da classe), que chegou ao doutorado no ITA e, ainda, mais a um pós-doutorado na Inglaterra. Um pouco de tudo isso para mostrar ao mundo que eu tinha algum valor! Digo um pouco porque valorizo o meu esforço para conseguir o que conquistei e, hoje, gosto do que faço. Talvez se não houvesse tanto essa necessidade de me mostrar capaz, poderia ter seguido outros rumos. Poderia ter sido um artista? um jardineiro?

3) Também a convivência social se transformou em um peso. Nasci lábio neporino. Depois de várias plásticas no lábio, isso com 19 anos, quando já estudava na USP, comecei a me aceitar um pouco mais, a ter um pouco mais de sociabilidade (antes, fazia o papel de gênio isolado, vivia nos livros e em clubes de xadrez).

4) Hoje também me sinto mais livre, mais à vontade e, também, tenho descoberto a força dessa afetividade reprimida. Também não preciso ser mais o centro das atenções. Valorizo cada vez mais, grupos como o nosso grupo de tantra. Como falei em meu depoimento anterior, o tempo é agora, o amanhã está cada vez mais curto.
Ao concluir essas palavras, estava um pouco emocionado. Me lembrei das palavras de Issac Newton, o pai do cálculo diferencial e integral (não veja isso como uma demonstração de esnobismo, apenas de alguém que acha a matemática a rainha de todas as ciências). Disse ele: se eu enxerguei um pouco mais além do que outro homem, foi porque subi em ombros de gigantes. Eu digo: se hoje cheguei até onde cheguei é porque tive apoio de uma grande mulher, a minha esposa. (neste ponto estou muito emocionado, como estou na faculdade, tive que me controlar para não chorar).
Também admiro todas as mulheres do nosso grupo. Vejo nelas: beleza, coragem e tesão.

Como você vê, nossas histórias tem muitos pontos em comum.

Um abraço,

Sajeev Nirmukta. “

Matemático, estatístico, sannyasin, pai, marido, participa do Laboratório de Formatividade Tântrica da Companhia do Ser . É um prazer tê-lo conosco!

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Das surras aos abraços

Os próximos posts são emails de uma seqüência de trocas de histórias, dores e marcas. As trocas se transformaram em acolhimento, cuidado e amor…

Difícil é não se tocar por tanto carinho expressado nestes textos, trocados no Yahoo Groups, por pessoas que participam do Laboratório de Formatividade Tântrica . O primeiro deles foi escrito pelo Marcio.

“Meus pais nunca trocaram afeto na frente de seus 5 filhos. Quando beijávamos papai, era um tipo de beijo burocrático, praticamente sem contato. Troca afetiva era alguma coisa muito desconhecida em nosso dia-a-dia. Não era incomum que apanhássemos de cinta, até ficarmos com o corpo inteiro marcado por vergões. E não podíamos chorar, sob pena de apanharmos mais. A dor moral era ainda maior do que a dor física.

A vida toda eu vivi às voltas com a necessidade de me sentir querido, de me sentir amado. E nunca soube receber bem manifestações de afeto, que sempre soaram como falsas. Fui aprendendo a rejeitar,
para não ter que experimentar a rejeição. Também sempre lidei supermal com a autoridade. Me trazia de volta aquela experiência com meu pai, onde tudo que eu fazia parecia errado. Tive que me apoiar nos meus dons artísticos para conquistar algum carinho e atenção dele, um artista múltiplo, que viveu frustrado como um médico no interior. Passei a acreditar que as pessoas valiam pelos seus dons artísticos ou por sua competência. Sempre fui primeiro aluno da classe, aquele que também tocava instrumentos musicais, ganhava concursos de redação, de desenho. Se eu não estivesse em um lugar de evidência, eu me sentia profundamente desconfortável. Era como se eu não fosse querido no silêncio, na quietude. Eu tinha que ser sempre simpático. A convivência social ia se transformando um peso, para eu sustentar uma imagem, que na maioria das vezes não era genuína, espontânea, autêntica. Hoje eu me sinto mais livre, mais à vontade. E tenho descoberto a força dessa afetividade reprimida. Tenho apreciado cada vez mais sair do meu mundo autista e estar com pessoas, desenvolver relações menos racionais e mais afetivas. O nosso grupo tem sido muito bom nesse sentido. Estou me nutrindo dessa coisa maravilhosa que é o afeto. É muito bom eu não ter mais que me ser especial. Dá uma liberdade, uma leveza. Eu não preciso mais ser centro das atenções.

E nem ser reconhecido pela minha arte. Agradeço a todos por essa extraordinária experiência. Agradeço ao Saananda, pela oportunidade de trabalhar essa minha questão com a autoridade. Quando penso em
reagir à nossa relação tão pouco afetiva, escolho olhar pra isso como uma grande oportunidade de treinamento, para que eu esteja com o outro com cada vez mais liberdade.

Beijo a todos. Obrigado pela oportunidade de me expor sem medo.”

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Re: deixar…, jururu

“olá, minhas belas fadas do campo dourado mada, veet, paula, lila, carlinha, lily e etc…
vendo vocês escrevem fico com um nózinho na garganta, sentindo as angústias de vocês… não tenho muito o que dizer… tá tudo muito profundo, muito sincero… As coisas estão se configurando, se ajeitando. Já que a Paula falou de cimento, acho que uma grande reforma está acontecento… E quem nunca se estressou com uma reforma? quem já planejou uma reforma pra 1 mes e o prazo foi cumprido?
vivemos em reformas constantes, que se desenvolvem num tempo muito mais lento do que nossas mentes, bolsos e disponibilidades desejam… Acho que por isso as vezes se tornam massantes… Mas o resultado… Ahhh o resultado é belo. Digo porque convivo com vocês e já prensenciei tantos saltos e admiro individualmente a beleza e força de cada uma… Da vontade e de saber serem mulheres…
To aqui meninas com meu colinho disponível pra todas vocês
bjos saudosos e aconchegantes
rajiva”

Lalit Rajiva, membro da equipe de Tantra e terapeuta da Companhia do Ser. Uma espécie de musa do grupo, não apenas pela beleza que se vê, mas pela que se sente tb.

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RE: O meu padrão macho brabo e como foi criado

Bruninha querida
Primeiro o mais leve
Tua escrita está em prosa?
Eu não entendo muito disso
Mas enquanto lia parecia em ritmo de rap, rsss

Agora o profundo
Preciso te confesar
Quando vc chegou te achei meio estraninha
E como vc é a mulher do Yurê, que é o irmão de um dos meus amores
E o Yurê estava doído e subjugado
Te achei uma mulherzinha sacana

Admito
Pré-conceito e arrogância minha
Projeção de velhas dores

Mas
Fui te vendo
Foste abrindo

Vc sabe
Não acredito no amor
Não nesse que sai fácil
Que acontece sozinho
Que é mágico
Não faz crescer
E vira dor

E sabe querida
Agora posso te dizer
Com plena certeza e muita alegria

EU TE AMO BRUNA

Cada vez mais
Porque estamos construindo isto
Pela tua presença
Pela tua inteligência
Pela tua doçura
Pela tua força
Pela tua humildade para ver e rever
Pela tua beleza
E agora pela tua história
Por saber que conto com vc
Por querer que vc conte comigo
Por saber que posso confiar
Que vc vai estar comigo
E dar uma dura no meu vacilo

Uma bjk, Bruna
Não muito tântrico que acho que o Yurê não agüenta ainda, RSS

Saananda, em lágrimas

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O meu padrão macho brabo e como foi criado

“Mada, sua sugestão de reler os e-mails anteriores…
Ro, sua visão no exercício dizendo: “você é muito meiga, mas tem uma coisa que dá medo e afasta as pessoas…”
Lila, você me dizendo: “sinto que você é maior do que pensa e mostra… só não viu”
Luis, você com sua mente intelectualóide…
Alê, você dizendo (não só para mim): “pegou pesado…”

Todas essas vozes juntas na minha cabeça e no meu corpo, que entrou em choque de madrugada, num misto de… ai ai ai é difícil explicar… parecia quando num filme os personagens voltam ao passado, as imagens ficam fora de foco, mas revelam muitas coisas e quando a câmera começa a girar e toda a sensação de insight que vem depois…

A boazinha se embruteceu porque levou muita paulada, como filha de mãe solteira, negra e miserável (financeiramente).

Me veio uma música que tem todo o sentido pra mim e muito “agressiva” como admito que aprendi a ser…

“pois sua infância não foi um mar de rosas não,
na Febem lembranças dolorosas, então…”

Não fui para a Febem, mas meu irmão sim… e VÁRIAS vezes! E em cada vez eu agi diferente com ele, em atos desesperados de amor… da boazinha eu fui para a brutalidade total com ele muitas vezes, tanto quanto as vezes em que vi minha mãe chorando por causa de nós dois…

“me digam quem é feliz, quem não se desespera, vendo
nascer seu filho no berço da miséria.”

Além dessa história, tive várias outras e uma das mais fortes, tanto quanto a anterior é a seguinte: sou filha de mãe solteira e que não sabia de quem era o pai e isso tem raízes profundas em mim… agora vejo que também fui boazinha nessa história, mas teve uma hora que eu tive que acordar a minha mãe! E aí aos 15 anos EU fui procurar um dos possíveis pais! E vocês devem imaginar a força que tive que fazer para isso, chegar em um homem e dizer para ele: olha eu POSSO ser sua filha, NÃO sei se sou, mas posso ser… num desejo profundo de resgate da própria história… e sem a mãe saber dessa loucura e que quando soube não conseguia mais dormir! Porque na PORRADA eu tinha feito minha linda mãe se deparar com um passado doloroso pra caramba.

Nesse mesmo período eu morava de FAVOR em uma FAVELA (ouvia Racionais MC’S), não só vi na TV, mas ela pulsa na veia ainda…

“Equilibrado num barranco incômodo, mal acabado e sujo,
porém, seu único lar, seu bem e seu refúgio

Um cheiro horrível de esgoto no quintal, por cima ou por baixo, se chover será fatal. Um pedaço do inferno, aqui é onde eu estou.

Até o IBGE passou aqui e nunca mais voltou.”

Já vi corpo morto exposto de madrugada quando tinha que sair, para GANHAR a vida e ao retornar a tarde da noite ver o mesmo corpo, que estava “diferente” por causa do lençol.

Ratos dividiam o mesmo barraco que eu… revendo as mensagens, vejo AGORA que pode ter sido por isso também minha revolta sobre a discussão do capitalismo…

“Deu meia noite e o corpo ainda estava lá, coberto
com lençol, ressecado pelo sol, jogado.
O IML estava só dez horas atrasado.”

Para sair dessa miséria eu tive que encarnar o “macho brabo” da minha casa, num esforço muscular violento, EU por muitos anos acordei de madrugada e dormi muito tarde… e digo mais: tive que fazer isso porque nenhum HOMEM estava presente e minha mãe já estava fraca de lutar sozinha com 3 filhos, fazendo faxina todos os dias e o dinheiro dela só dava para que comêssemos, por isso a dificuldade de pagar algum aluguel decente…

Comecei a trabalhar aos 14 anos e agora estou na minha melhor fase financeira da vida e aí me veio a explicação da minha opção pela biblioteconomia…

“… como é que vão aprender sem
incentivo de alguém, sem orgulho e sem respeito,
sem saúde e sem paz.”

A profissão que escolhi reflete minha busca pelo conhecimento, e no instante de lucidez que tive e que me ajuda a escrever essa mensagem, me lembrei de um artigo de uma revista científica que analisa canções e o título do artigo é: Ouvindo Racionais MC’S!!!!!!! Então VEJO mais, no primeiro dia em que me encontrei com a turma da faculdade um amigo me falou “achei que você fosse estudar sociologia” e agora RIO MUITO com isso rsrsrsrsrsr

Meu, até isso fez sentido… escolhi a biblioteconomia pensando no social, da pobreza de onde tinha saído e que tem uma carência profunda de conhecimento, que também é importante, não que queira que as pessoas sejam intelectualóides (porque nos anos trabalhando em biblioteca eles me “encheram o saco” de “macho brabo” que tenho), sinto que o que sempre quis é o seguinte: que negros, pretos, mulatos, ferrados, como queiram… tenham a oportunidade e o conhecimento de um OSHO da vida, através de seus livros maravilhosos e o que sempre quis na verdade é que fosse EU a passar como bibliotecária um livro desses na mão dessas pessoas, que são como fui!

Voltando a história do pai que busquei… ficamos muito amigos, nos amamos muito e fizemos o DNA… e… suspense… imaginem meu nervoso na hora do resultado… ele não é meu pai biológico! Nossa relação tem mais de 10 anos e agora está em um processo muito difícil… estou sofrendo um rejeição terrível dele, como se ele tivesse se cansado da brincadeirinha de ser papai… e pasmem ele é um PSIQUIATRA!!!!!! Por isso, também minha irritação com o Luis que queria ouvir os psi… PÔCHA vida eu sei na pele que eles não resolvem MUITA coisa, não quis dizer NADA… disse MUITA coisa… porque o homem que amo e que me fez cessar a busca por um pai biológico, agora, nessas alturas dos acontecimentos, que como descrevi, foram fortíssimos, não quer mais ser meu PAI e choro muito! Porque o psiquiatra não quer mais brincar de ser papai!

Relendo todas as minhas mensagens, vejo muita coerência no que escrevi em todas elas. E agradeço o Saananda e a cada um do grupo, que ajudaram a ME VER. A força que já contei pra vocês, foi para que não fosse piegas, não quero que tenham dó de mim, já senti muito isso das pessoas nas instituições para criança carente que passei… coisa que meche com meu lado “macho brabo”. Sempre encarava minha linda história, deixando de sofrer tudo que tinha o direito, pensava: “Sua fraca engole esse choro” e parava MESMO… mas a dor profunda sempre estava presa na região do plexo… no estômago, onde criei uma úlcera e na vesícula onde tenho várias pedras!

Olha, um fato engraçado: o Saananda foi uma das pouquíssimas pessoas que me “deram” uma idade acima da que tenho… e me disse: “pra você eu FALO porque você agüenta” e “não te saquei totalmente ainda, porque você é uma enguia!” Gente olha a força que fazia, nem o Saananda me sacou totalmente! rsrsrsrsrsrsrs

Aí eu digo, agora que vi tudo… OH SE AGUENTO!!!!!!!! Quero ouvir mais de você Sá, quero mesmo, e dizer que tenho uma identificação muito forte com o Alex, a Márcia e a Tarisha, que vieram da periferia como EU e dizer que tenho muitos livros do OSHO para emprestar!

Para o lado da busca pelo conhecimento, e não o lado intelectualóide, de todos, eu coloco links da linda música dos Racionais MC’S, não a letra mais pacífica e romântica do mundo, mas LINDA no sentido de mostrar descaradamente o meu mundo, o nosso mundo.

http://www.racionais-mcs.o-homem-na-estrada.buscaletras.com.br/

http://www.youtube.com/watch?v=02-h9t0VpVI

Queridíssimos, foi assim que o “macho brabo” surgiu nesse rostinho de anjo!

Bruna

Participante do encontro mensal do Laboratório de Formatividade Tântrica.

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RE: Jururu

“Passarinhas Lilica, Mada, Veet, Carlinha… que som é esse, qual é o nome dele?

Ufa… consegui subir aqui nesse galho de arvore enfiando meu bico no tronco, porque minha asa ta dura… eu sei que eu sou meio “cheinha” mas eu queria ficar quetinha pertinho de vocês nesse ninho…

O foda é que eu nem sei que tipo de passaro-inho eu sou… as vezes (muitas vezes) eu sou um frango sem penas ciscando encolhidinho por aí, outras sou um filhote de avestruz… eu nem sei mais só sei que tenho asas, mesmo que atrofiadas…

Ta tudo muito louco…

Nunca mais escrevi porque eu estava esperando trazer algo de bom pro grupo, mas não consegui “botar” nada ultimamente…

To muito distante de mim, das pessoas… só ouço vaias… dentro de mim.

Tive medo de escrever, ou falar, ou sei la enfiar os dedos no teclado, enfiar o pé na jaca mesmo e essas vaias interiores estourarem meus tímpanos atraves de vocês… do mundo…

Não to conseguindo me acompanhar, nem acompanhar a chuva de letras e sentimentos que aparecem aqui no nosso diário de bordo.

Me identifiquei com várias situações aqui citadas, tive raiva de outras, angustias, saudades, compreensão, e muita muita sensação de não fazer parte do todo, desse todo também…

To com muita raiva das palavras sustentar… membrana, respira, aguenta e isso e aquilo, e todo um vocabulário…

As palavras me cansam, sentir raiva me cansa… me canso a ponto de enfraquecer, amolecer, desistir… Me canso mas não desligo.
Ja fazem alguns dias que não durmo a noite, agora por exemplo estou a duas noites sem dormir… com uma puta raiva mole, que infelizmente vira mágoa e eu não consigo me mexer, me expressar, me colocar,não consigo vir pro mundo…………

Fico cada vez mais dislexica. Qual é o lado direito mesmo?

Esqueço.Erro.Me diminuo.Encolho.Encurvo.
Diminuo mais um pouco.Entorto…
To fazendo muita força pra dentro, mas to sumindo cada vez mais…

Perdi a forma.

Também queria me parir Carla. mas só tem vindo ovo choco…

Meu rio secou… tentei voltar pra fonte,mas so to vendo lama…

E Liii acho que nunca senti o gosto do recheio…

Desculpem por escrever migalhas.

Pavão.Galinha.Frango.Pintinho.Passarinho.Piolhinho.

Paula, faz parte do grupo que se encontra mensalmente no Laboratório de Formatividade Tântrica da Companhia do Ser , repolhinha, passarinha, queridinha.

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RE: Jururu, caju, chá verde

“Oi Veet,

Todos vão fazer fila por esse colo.

Parece que todos que estão escrevendo deram algum salto quantico (não entendo nada disso), pois o olhar mudou. Estão falando de outro lugar…
Todos falam de algo de fronteira, de limiar, de morte, de beira de praia….

Ou talvez eu esteja projetando meu momento… vamos esperar pra ver…
no meu caso sinto algo tão avassalador, uma profundidade tão estranhamente profunda… meu terror, minha solidão, minha sensação de abando, minha tristeza, minhas raivas que vem das entranhas. Todos esses sentimentos deram as mãos e me veio visitar… voltei a ter infecção na garganta. minhas visceras.

E se eu as toco, jorra todo esse lixo pra cima. Sinto que o calibre aumentou porque agora consigo catalogar e entender…
E meu pai cavalga em cada gota desse fél. Sempre presente.
Sempre odiei meu pai e nunca soube. Apenas acreditava que tinhamos uma certa distância. Mas o odeio da forma mais profunda possivel. Eu o trancaria num quarto e o mataria de novo. Arrancaria seus dedos, suas mãos, seu saco sujo, a garganta… puta merda. Que delirio!!!!!!!!!!!
o foda não é esse ódio é saber que todos suas relações foi temperada por esse sentimento que era tão inconsciente. Mas estava sempre saindo pelos vazamentos…

Ahh Veet, não saberia ainda lidar com um colo… rs”

Alex Ferraz, faz parte do grupo que se encontra mensalmente no Laboratório de Formatividade Tântrica da Companhia do Ser , se desnuda cada vez mais no grupo, mostrando todas suas faces, conhecendo todo seu ser. Faz o trabalho valer a pena.

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RE: Deixar…

“Carlinha

Tenho me segurando para ficar quietinho. Falar ou escrever é parte importante de uma identidade que sempre me foi pesada. É peso demais para alçar vôos rumo ao desconhecido. Mas … estou nesse grupo me apropriando de novas formas de me expressar.

O que tem acontecido em mim vem aos borbotões. Não estou assustado, não estou com medo, não estou ansioso, não estou … nada. Estou vazio de novo, mas agora aflora uma nova consciência, de que este vazio tem uma qualidade. E é fácil para mim perceber o motivo.

Quando cheguei assim tão perto dos corações desta comunidade tântrica eu já havia desisitido. Sou um suicida. Ahhhhhhhh … “eu” quero morrer. Aquela identidade pesada, doída, desistiu de viver. Já havia desistido faz muito tempo (quem aqui conhece o zoloft, o meu amigo antidepressivo?). Agora finalmente estou morrendo.

Muita calma nessa hora, pois quem não tem olhos para ouvir, nem ouvidos para ver, vai interpretar de forma errada. A morte está se fazendo cada dia mais presente. E eu a aceito. Não tenho medo. Não estou resignado. Não estou ansioso. Deixo que ela venha, deixo que ela me torne mais e mais vazio.

Não importa quanto tempo demore: sem ansiedade. Não tenho apego pelo que já está perdido de uma forma ou de outra: sem medo. A consciência afasta a dúvida. É preciso morrer para que a vida resurja. A vida renasce na morte. O que “foi” se torna fertilizante do que “é”, e assim o ciclo se completa.

A doce Veet me jogou fundo no fundo do fundo no último encontro quando do coração dela brotou uma nova verdade: a da “saudade negativa”. Não “saudade como algo negativo, ruim ou mau”, mas sim a “saudade elevada à potência menos um”, ou seja, saudades do que está por vir.

UAU!!! Tem que ser saudade, porque não há nada de novo para vir. Tudo já está aqui. Meu coração já está aqui. Ao mesmo tempo esta saudade se projeta para frente, porque se refere a algo que está por vir. A saudade do que está por vir. Nada virá de novo, mas tudo será renovado. Nada virá de desconhecido, mas tudo será reconhecido.

Eu ouvi isso como nunca antes consegui ouvir nada ou ninguém (tudo vem aos borbotões, tudo tem sido assim nesta convivência tântrica). Me apropriei dessa verdade, e uma nova consciência cresce com ela. Se eu estiver com medo, nada virá. Se eu estiver ansioso, nada acontecerá. Basta relaxar e aceitar essa “saudade negativa”, essa expectativa-certeza de que o que tiver que vir, virá. A morte abre espaço para a vida. O que “foi” nutre o que “é”.

Veet, essa “saudade negativa” foi plantada pelo seu coração em meu coração, e muito bem plantada. Agora ela cresce, vigorosa. Namastê. Namastê.

Compartilho isso em cima da sua mensagem, Carlinha, porque senti em você algo muito próximo a isso. Muito próximo mesmo. Posso sentir fundo as suas palavras, que é a linguagem da sua consciência, do seu coração. Posso dizer que também me sinto um nadinha de nada, e aceito isso; que também não me reconheço, e aceito isso; estou renascendo de mim mesmo, e aceito isso; que as ondas das praias de Santos cavam sob meus pés, me levando mais e mais fundo na areia, e eu aceito isso.

Carlinha, o caminho é de cada um, e não posso trilhá-lo com ninguém. Nem você. Nem ninguém. Mas poder sentir do seu coração a mesma experiência permite ao meu coração enraizar mais fundo a consciência de que esse é “o caminho”.

Eu precisava compartilhar com você, Carlinha. E com você, Veet. E com todos esses corações tântricos que tanto me doam amor nessa comunidade, nesse grupo. O que me é dado, não é meu, é de todos vocês.

E especialmente para você, Carlinha, se esta mensagem te der algo para transcender a angústia, o medo e a insegurança … só estou retornando o que recebi.

Namastê.”

Luiz Jardineiro ( faz parte do grupo que se encontra mensalmente no Laboratório de Formatividade Tântrica da Companhia do Ser ).

Namastê, Luiz!

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Deixar…

“oi, queridas… Mada, Veet, Lili… será que tem um lugarzinho prá mim nesse ninho?
já vou me aconchegando. esse tal jururu deve ser um passarinho meio estranho mesmo, encolhido, arrepiado…

…é assim que estou me sentido.
um nadinha de nada. um nem sei mais o que sou. tento me ver e não me enxergo. ou melhor, não me reconheço.
extremamente difícil de explicar, já que até as idéias e os argumentos estão passados.
sinto uma angústia enorme. uma insatisfação. um medo de não conseguir crescer.

não tem nada em que segurar. não quero me segurar.
posso deixar… vontade de chorar, vontade de correr, vontade de gritar, vontade de parir. de parir eu mesma de novo. virar do avesso. e de repente bate um silêncio, vontade de não fazer nada até mesmo de não ser.

estou como a olhar o mar da beirinha. a onda vem eleva a areia de baixo dos meus pés. parece que vou cair mas logo meus pés se afundam na areia nova.
quando a forma de areia já está bem feitinha, outra onda vem e desmancha tudo novamente… minhas pernas as vezes firmam mas logo depois tremem muito também.
quero entrar, mergulhar sem medo, mas ainda não consigo.

esse tanto de coisa nova acaba remexendo as antigas.
deixar vir, deixar ir. mas ainda sinto as pernas tremerem.

beijos estremecidos,
Carla (???)”

Carla A. (faz parte do grupo que se encontra mensalmente no Laboratório de Formatividade Tântrica da Companhia do Ser ,
linda, forte e sensível).

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Jururu, caju, chá verde

“oi lily… meu lírio…

quer almoçar comigo?
posso ser teu valium agora?

oi todo mundo,

to um fiapinho, uma felpa. um rio no limite de secar, mas um fio d’agua cheio de potencial. lagrimas.
não sobrou voz pra falar de mim, nem unha pra roer.

não sei o que colocar pro grupo.

não sei o que falar pra vc.
mas to tão perto de você, e tenho um tantinho de colo, uma mão quente e um ravioli verde pra te oferecer. quer?

veet”

Veet Prem, da equipe avançada de Tantra e da equipe de terapeutas da Companhia do Ser )

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